Piscina Salgada

Piscinas podem dispensar o uso de cloro

Substituir o uso de produtos químicos por uma opção natural, à base de sal, é a proposta da Reset para um banho mais saudável e para manter esses locais protegidos o ano todo.

Uma solução diferenciada começa a ganhar espaço no mercado gaúcho e a ser adotada em condomínios: a piscina salgada, um sistema de manutenção contínua desses ambientes.

Desenvolvido pela empresa Reset Soluções Industriais, de Porto Alegre, o gerador de cloro salino é um equipamento que utiliza cloreto de sódio, NaCl (sal grosso, usado para churrasco) como matéria-prima para a produção de algicida (para eliminar algas azuis ou verdes que surgem nos meios aquáticos) e bactericida de forma natural. “E isso com um custo baixo de energia, sem manuseio de produtos químicos e proporcionando um banho mais agradável”, acrescenta o engenheiro mecânico e sócio-gerente da companhia, Regis Eder Pereira.

Uma unidade da piscina salgada trabalha, em média, com uma despesa de R$ 100 por ano, em eletricidade. No lugar do cloro, relata o gerente, é empregado hipoclorito de sódio, de acordo com as exigências da vigilância sanitária. Ele explica ainda que, com esse método, a salinidade da água fica sete vezes menor que a do mar e a metade do soro fisiológico, bem próxima a do corpo humano.

E foi por todos os motivos acima que o síndico do Condomínio Condado de Castella, o engenheiro químico César Hoffmann, levou ao Conselho Consultivo a sugestão de usar essa alternativa em suas piscinas. Localizado em Viamão, o residencial possui mais de 300 casas construídas, somando cerca de 1 mil moradores. Hoffmann conta que ficou sabendo desse recurso por meio de revistas técnicas e pela indicação de colegas da profissão.

Funcionário do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) da Capital gaúcha, ele revela que atua com saneamento básico há quase 30 anos e que isso o faz enxergar os benefícios de novas perspectivas quando elas “batem à porta”. “Já sabia desse tipo de tecnologia, mas os preços eram elevados. Recentemente, tive conhecimento sobre uma redução nos valores de implantação e, fazendo cálculos, pude comprovar que o retorno do investimento seria rápido para o Condomínio”, comenta.

O síndico César Hoffmann, junto às piscinas do Condomínio Condado de Castella, em Viamão, que utilizam sistema que substitui o sal pelo cloro .

Sua expectativa é de estar com o recurso aplicado totalmente pago de cinco a seis meses. Na administração do Condado de Castella desde 2008, no ano passado Hoffmann assumiu como síndico e permanecerá no cargo até março de 2011. Para o engenheiro, as vantagens da piscina salgada são muitas e passam pela diminuição do custo operacional, por não precisar mais comprar e estocar cloro e pela segurança dos funcionários que não manipulam produtos químicos agressivos.

A essas melhorias ele agrega a tranquilidade dos condôminos em aproveitar uma água mais saudável. Além do Condado, o Condomínio Reserva Petrópolis, em Porto Alegre, também já aderiu a esse procedimento.

Nasce uma ideia

A proposta surgiu como projeto para auxiliar no combate à dengue em espelhos d’água e em outros ambientes que não têm condições de serem tratados como uma piscina convencional devido ao preço e por não contarem com a estrutura de filtros necessária. Regis Eder Pereira recorda que, a partir desse cenário, foi criada uma célula imersa, patenteada pela Reset, que permite o tratamento através da adição de sal ao invés da troca de água, limpeza e reposição de líquido potável, o que é usualmente realizado. Atuando nesse mercado desde 2004, a empresa possui 64 clientes entre companhias de abastecimentos, hotéis, pousadas, spas, parques aquáticos e condomínios.

Como funciona

O método tradicional de tratamento das piscinas envolve a colocação do hipoclorito de sódio, líquido ou granulado, diluído diretamente na água, deixando um residual de cloro que é corrosivo e que pode levar o local, em determinados períodos, a ter um excesso ou ausência de bactericida. Já na nova técnica, o hipoclorito de sódio é obtido através da eletrólise do sal grosso sem iodo no meio aquático, o que ocorre devido à quebra de suas moléculas. “Como esse é um processo permanente, a quantidade de batericida fica equilibrada”, esclarece o sócio- gerente da Reset, Regis Eder Pereira. Dessa forma, o local fica protegido o tempo todo, inclusive, contra a dengue.

Adaptável a estruturas de qualquer volume, espelhos d’água e chafarizes, a solução funciona através da aplicação de sal na água na proporção de 25 quilos para cada 5 mil litros, com reposições semestrais de 2,5 quilos de cloreto de sódio. Dois modelos de emprego da tecnologia são disponibilizados: o de imersão e o por fluxo. No primeiro, o equipamento é instalado próximo ao sistema de filtragem que, ligado às células eletrolíticas submersas nas piscinas, inicia o processo de conservação. No segundo, a geração do bactericida ocorre fora do ambiente a ser tratado, em aparelhos projetados para trabalhar em conjunto com os de recirculação e/ou filtragem.

Conservação facilitada

A manutenção, reforça Pereira, é feita com aspiração, filtragem e ajuste do pH de forma usual, com limpeza da célula onde acontece a conversão de água e sal em algicida e bactericida. “A periodicidade deve ser mensal e de forma rápida, com uma simples raspagem dos metais”, informa. O gerente salienta que, durante o inverno – época em que são menos utilizadas –, as piscinas se mantêm limpas e claras. O método impede o desenvolvimento de larvas de mosquito ou algas, mesmo que fiquem tapadas com uma capa. Os custos, conforme ele, variam de R$ 900 a R$ 5 mil. Quanto maior o volume de água a ser tratada, menor é o tempo de retorno do investimento. “Temos casos de clientes que tinham R$ 500 de gasto mensal em cloro e adquiriu a piscina salgada em nove parcelas de R$ 500. Ou seja, em nove meses manteve o custo sem novas despesas”, detalha.

Veja a entrevista na Revista do Síndico, pág 35, acesse aqui.